domingo, janeiro 31

Nota mental

Lembrar de deixar de ir ver concertos de certas bandas que me fazem dor de cabeça.

Reggae-bofe


Por que raio dizemos que as amizades coloridas são coloridas? Será que é por todas as outras serem cinzentas? Se ao menos as pessoas pudessem ser tão coloridas como as amizades...

quinta-feira, janeiro 28

Feliteira...

Hoje vou falar de comboios e de uma terra chamada Feliteira... A história passou-se comigo por volta de 1993/94, tinha eu 16/17 anos. Era Sábado à noite e fui com uns amigos a uma discoteca na Amadora. Como adolescentes sem carro que éramos, costumávamos ir de comboio, e foi o que aconteceu nessa noite. Até aqui tudo bem. A minha odisseia começou na altura de voltar para casa, na Malveira.

Como, em virtude do meu charme natural, tive mais sorte do que os meus amigos e consegui sacar uma morenaça local na discoteca, quando chegou a hora de vir embora para apanhar o último comboio do dia, achei que não podia deixar o assunto inacabado e optei por ficar mais umas horitas, vindo depois no primeiro comboio da manhã, que saía da Amadora às 6:00. Até aqui tudo bem também, não é que eu sacasse muitas morenaças valentes na altura, mas o que se passou a seguir ofuscou tudo o resto...

Às 6:00, ainda de noite, lá estava eu, sózinho, a morrer de sono e com frio dentro do comboio. Estava completamente deserto. Entrei pela carruagem da 1ª classe e não resisti a sentar-me nos bancos fofinhos e felpudos, em vez de ir, feito otário, nos piores lugares de um comboio vazio. Má opção... Penso que não deve ter tardado 5 minutos até ferrar a pestana.

Acordei com o pica a bater-me nos ombros e a pedir-me o bilhete... Lá o encontrei a custo e entreguei-lho ainda com um olho fechado.
- Este bilhete é só até à Malveira - Disse ele com um ar de quem me queria bater. Pedi-lhe desculpa e disse-lhe que tinha adormecido, mas ele não ficou nada convencido.
- E agora? - Perguntei eu a medo, sem saber bem o que me poderia acontecer ali, num comboio deserto, às mãos daquele revisor psicopata. Nem sabia bem que horas eram, nem onde é que estava...
- Agora sais já aqui! - Berrou ele imediatamente. Nisto o comboio parou. Saí... Estava na Feliteira. Um apeadeiro deserto no meio de lado nenhum, que eu nunca tinha ouvido falar, algures entre a Malveira e Torres Vedras. Ainda perguntei ao revisor, que me acompanhou à porta para se certificar que eu saía do comboio, a que horas passava o próximo comboio no sentido contrário. Ele disse que passava um logo a seguir. Fiquei mais ou menos descansado e lá me sentei no banquito do apeadeiro. Eram 7 e picos e estava a amanhecer...

Às 8:00 passou o tal comboio, só que não parou. Fiquei com cara de parvo a vê-lo passar... Era Domingo, e aos Domingos os comboios não paravam nos apeadeiros. Mas o pior de tudo é que eu não sabia isso. Não havia qualquer informação acerca dos horários dos comboios, nem havia absolutamente ninguém! Avistavam-se apenas umas casitas ao longe, que deviam ser a Feliteira...


Nesse momento comecei a ficar um pouco chateado com toda aquela situação, e sonhava com o momento de chegar à minha caminha. Esperei mais uma hora ou duas no apeadeiro, a ver se parava algum comboio, mas nada. Estaria aquilo mesmo a acontecer? Quando é que eu ía saír dali? Eram questões que não me saiam da cabeça...

Sem saber bem o que fazer, decidi ir explorar a povoação em busca de informações acerca dos comboios. Cheguei a uma espécie de Taberna/Mercearia/Café/Papelaria, digna de um filme do Kusturika, onde estava apenas um homem de idade avançada atrás do balcão. Expliquei-lhe a custo a minha história, que até para mim era confusa, e perguntei-lhe se tinha um horário dos comboios, para eu poder ver se, afinal, algum comboio parava na Feliteira ao Domingo. O senhor foi bastante simpático e compreensivo, e o melhor de tudo é que tinha mesmo um horário, que ele próprio decifrou, dizendo-me que havia um comboio para a Malveira que parava ali às 14:15. Agradeci e vim-me embora sem consumir nada, pois devia ter o dinheiro quase à conta para o bilhete.

Fui novamente para o apeadeiro que, por incrível que pareça, era mesmo o melhor sítio para estar em toda a Feliteira, e sentei-me. Com aquilo tudo já era quase meio-dia. Estava completamente podre e já mal conseguia abrir os olhos... Adormeci...

Acordei sobressaltado com o barulho de um comboio a parar. Finalmente!!! Lá me levantei e entrei. Outra má opção... Ainda não me tinha sentado quando percebi que o comboio estava a andar para o lado errado... Que grande bronca! Como é que é possível!? Como é que isto me está a acontecer!? Estava-me a afastar ainda mais de casa...

Bem, a única opção era sair logo na próxima estação (se parou na Feliteira, devia parar em todo o lado), e esperar que o revisor não aparecesse. Tentei-me esconder, mas não resultou. Tive mesmo de pagar o bilhete para a estação seguinte: Dois Portos. Pelo menos era uma estação... Tinha horários disponíveis, e até tinha um funcionário. O problema é que eu já não tinha dinheiro para pagar o bilhete para casa. Que situação... Expliquei novamente a minha história ao chefe da estação, que foi impecável, e meteu, do próprio bolso, o dinheiro restante para eu poder comprar o bilhete para a Malveira. Esperei mais umas horas e apanhei o comboio às 16:45.

Cheguei a casa às 18:00 mais morto do que vivo, meio grogue por causa de toda aquela situação, mas com uma satisfação estranha... Tinha tido um dos piores dias da minha vida, mas pelo menos tinha uma história, realmente inacreditável, para contar. Até já mal me lembrava da morenaça que tinha comido na noite anterior.

Demorei 12 horas para ir da Amadora à Malveira, que são pouco mais de 20 Kms. Foi a mais longa viagem de comboio da minha vida e jamais a esquecerei.

Quero hoje, passados quase 20 anos, agradecer ao senhor da mercearia da Feliteira e ao chefe da estação de Dois Portos. Sem eles, se calhar, ainda andava para aí de estação em estação...

quarta-feira, janeiro 27

Pensamento do dia

Palavras não passam disso mesmo. Tanto e tão pouco...

terça-feira, janeiro 26

Marketing tradicional

Hoje vou falar da minha passagem de ano. Não desta, sobre a qual não faço comentários, mas da outra antes, a de 2008 para 2009.

Foi uma passagem de ano divertida passada em Vila Real de Santo António, e teve todos os excessos usuais da data, até por parte dos comerciantes locais. Num supermercado da cidade, no dia 1 de Janeiro, deparei-me com esta extraordinária promoção. Duas garrafas de refrigerante pelo preço de duas garrafas de refrigerante... Para quê comprar uma por €0,60 quando se podem levar duas por €1,20? Não sei se era pelos clientes estarem ainda meio grogues devido aos efeitos da noite da passagem de ano, mas o que é facto é que o produto estava a escoar bem. Estratégias de marketing? Não é preciso... Basta apanhá-los meio bêbados...

segunda-feira, janeiro 25

O tecto caiu

Sendo os abanões de terra o assunto do momento, lembrei-me de partilhar uma situação que me aconteceu o ano passado na manhã do dia 23 de Fevereiro de 2009.

Por volta das 9 horas, e tal despertador, parte do reboco do tecto do meu quarto caiu, provocando um enorme estrondo. Acordei sobressaltado, como seria de esperar numa situação daquelas, sem perceber bem o que tinha acontecido. Um tremor de terra? Uma explosão? O fim do mundo? Não... Foi só o tecto que caiu... Acontece-me cada coisa... Felizmente foi no local oposto à minha cama, sobre o bengaleiro, senão o sucedido poderia ter causado danos bem piores...