Gente da minha terra é um programa de Rui Sinel de Cordes que está a passar actualmente na SIC Radical. Vi os 3 primeiros episódios e não consegui parar de rir do primeiro ao último momento. O seu humor negro e assumidamente de mau gosto é uma pedrada no charco neste nosso país de brandos costumes. Sem medo de ferir susceptibilidades e a tocar em temas considerados tabu pela nossa pacata sociedade marinada em hipocrisia, Rui Sinel de Cordes traz efectivamente algo de novo ao humor em Portugal, embora não lhe augure um grande futuro, pois por cá tudo o que é bom acaba depressa...
segunda-feira, março 29
domingo, março 28
MC Snake
No passado dia 15 de Março, o rapper MC Snake foi morto por um polícia com um tiro nas costas, aparentemente numa operação stop de rotina. Um caso realmente infeliz e lamentável e cujos contornos estão ainda por esclarecer.
Mas será caso para evocar racismo como ouvi em declarações de algumas figuras públicas? E se tivesse sido ao contrário? A vítima branca e o polícia preto?
Acho que todo este ruído de fundo só serve para desviar a atenção do que realmente interessa - a incompetência e falta de preparação das nossas forças de segurança.
R.I.P.
domingo, fevereiro 14
Negrão
Porque é que em português se diz negrito quando metemos as letras mais gordinhas num editor de texto? Porque não dizemos simplesmente negro? Quando metemos as letras meio de lado não dizemos italicozito, pois não? Será racismo? Será por termos receio de conotar tão obviamente a raça negra com algo de maior espessura que o habitual como é o caso das letras gordinhas? Talvez daí tenha vindo o diminutivo negrito. Para contrabalançar... Acho que houve alguém que sugeriu negrão, mas levou 10 chibatadas e foi vendido na semana seguinte a uns espanhóis...
Em inglês a palavra é "bold". Fui ao tradutor da google ver quais as traduções possíveis para português e surgiram os seguintes resultados: arrojado, atrevido, audaz, corajoso, forte, vigoroso, íngreme e... negrito. Que raio? Acho que há aqui qualquer coisa que não encaixa...
.jpg)
Em inglês a palavra é "bold". Fui ao tradutor da google ver quais as traduções possíveis para português e surgiram os seguintes resultados: arrojado, atrevido, audaz, corajoso, forte, vigoroso, íngreme e... negrito. Que raio? Acho que há aqui qualquer coisa que não encaixa...
.jpg)
sábado, fevereiro 13
sexta-feira, fevereiro 12
quinta-feira, fevereiro 11
Consulta aberta

Há dias fui ao centro de saúde a uma consulta das urgências. Chamam-lhe agora consulta aberta. Fui a custo, pois não gosto de ir a esses sítios, afinal, é lá que estão as doenças... Bem, cheguei, esperei cerca de 15 minutos até aparecer a funcionária que me marcou a consulta, não sem antes me dar um valente raspanete por eu não levar o meu cartão de utente. Cartão de utente... Não vou ao médico há tanto tempo que nem sei onde é que ele está. Acho que é um azul... Não consigo perceber como é que hoje em dia, com tanta tecnologia, quando lhes basta inserir o meu nome para terem imediatamente acesso a todos os meus dados, ainda precisamos de um cartão para ir ao médico. E se eu estivesse mesmo mal e quase a morrer? Será que também me pediam o cartão? Perguntei se não havia forma de marcar consulta sem o cartão e se não poderiam procurar os meus dados no sistema através do meu nome. A funcionária fez-me uma cara de poucos amigos, pediu-me os 3 euros e 70 relativos ao preço da consulta, a minha data de nascimento e desapareceu lá para dentro novamente. Mais 15 minutos e regressou com a factura. Tinha a consulta marcada. Não foi assim tão mau. As minhas expectativas também já eram baixas à partida...
Sentei-me. A sala de espera estava repleta de gente descontente e com fome. Ia ser uma longa espera. Ainda bem que tinha ratado um pacote de bolachas antes de ir, pois já era meio-dia e a coisa não parecia que fosse ficar resolvida em tempo útil de almoço.
As salas de espera dos hospitais e centros de saúde são sítios estranhos. Em primeiro lugar porque estão repletas de gente doente, e depois porque as pessoas olham-se e estudam-se umas às outras profundamente, visto não haver nada melhor para fazer para passar o tempo. Há sempre uma panóplia de personagens diferentes que não se conhecem de lado nenhum e que dá a sensação que só se poderiam mesmo encontrar num sítio destes.
À minha esquerda estava um fulano, com os seus 50 e poucos anos, que não se calava.
- Devem-me estar a operar a mulher. - Dizia ele em voz alta, referindo-se ao tempo exagerado que a sua esposa demorava na consulta.
- Daqui a bocado aquela senhora dá-lhe uma coisa. - Continuava a berrar, desta vez referindo-se a uma outra senhora sentada junto à janela com cara de bastante enjoada, visivelmente incomodada com os berros do homem.
- O que vale é que nos vão pagar o almoço. - Dizia uma outra fulana indignada com o tempo de espera.
- Isto cada vez está pior, e a consulta cada vez mais cara. E agora vão todos almoçar e nós ficamos aqui à espera - Bem, o clima era quase de revolução popular quando a enfermeira veio à porta chamar mais alguém para entrar. A esposa do senhor barulhento saiu e ele foi embora. Um silêncio estranho apoderou-se da sala.
Entretanto chegou um senhor de idade bastante avançada a gemer de dor de cada vez que respirava. Parecia que estava mesmo mal, e toda a gente se sentiu incomodada com os seus gemidos de dor que pareciam um pouco despropositados. A coisa durou até um outro senhor de idade meter conversa com ele, aí parece que se esqueceu da dor e os gemidos pararam. Às tantas já estava a recitar quadras infindáveis e a contar histórias da sua juventude. Passado um pouco deixou de ter audiência e os gemidos voltaram. Cerca de metade das pessoas na sala, incomodadas com os gemidos exasperantes de tal personagem, saíram dali e foram aguardar para os corredores. Uma jovem com os seus 20 anos não parava de mandar asneirolas a amaldiçoar o homem. Pareceu-me bastante desagradável, pois senti uma certa simpatia por ele, com todas aquelas histórias que ninguém queria ouvir e com a nítida falta de atenção de que sofria. Nisto chamaram o meu nome. Estive com a médica 5 minutos, passou-me uma receita e vim-me embora. À saída, ao passar pela sala, não pude deixar de sentir uma sensação estranha de simpatia por todas aquelas pessoas que, tendo apenas em comum o facto de estarem em sofrimento e necessitarem de uma atenção especial, partilharam comigo algo mais do que isso. Partilharam histórias, partilharam vidas, partilharam aquele momento único... Acho que durante as cerca de 2 horas em que estive à espera de consulta não disse uma única palavra excepto nesse momento: - Melhoras rápidas para todos.
Subscrever:
Comentários (Atom)
